quinta-feira, 11 de outubro de 2012





Como podes ser a minha metade
Se sem ti não sou parte… sou nada?
Se quando foges em debandada,
Não consigo dividir em dois a saudade…
Como podes ser o meu reflexo
Se não te encontro quando olho a água?
Vejo-me só e a companhia é a mágoa
Deste viver em dois tão complexo.
Não sejas a silaba do meu verso
Nem o ponto final da minha oração
Não sejas o meu sangue…sê coração.
Não te quero estrela, quero-te universo

Porque ninguém pode ser metade...
quando amas na totalidade.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Levas o tempo

Levas o tempo em cada lembrança que parte
Em cada gesto de fuga e bailado de adeus
Abraças um beijo, dos meus lábios que são teus...
Levas o meu  segredo maior que foi amar-te

Encerras em ti a candura de inocente atrevida
E do nada segues caminho sem dizer onde vais
Deixas-me ancorado e preso no teu cais
Sem saber se voltas para esta historia, para a minha vida.

Levas o tempo que levou o que foi meu
O tempo que roubei para te oferecer em partes iguais...
Não viste os meus gestos e todos os sinais
E agora declaras solenemente que o tempo morreu...

vai então... parte agora sem esperança de voltar
Vou apanhar os meus pedaços e guarda-los junto a mim
Escondê-los na cave do sentimento e tentar não chorar....
fechar o livro que tem escrito no inicio... a palavra FIM.


"ANDA COMIGO VER OS AVIÕES"...... Pedras Rubras.... um fim de tarde

Nápoles






terça-feira, 31 de julho de 2012

O Tempo pára

.
Por vezes o tempo parece parar...
Por vezes, apenas...

 Ilusão ténue de mandar no passado, manipular o presente e prever o futuro...
Por vezes, apenas...
 O tempo não pára.... paramos nós! Sem dar conta que ele continuou... Mas também ele não dá conta que lhe roubamos um tempo para guardar... só nosso... sem tempo qualquer.

Pilar escarpado



Por onde vais?
Em quem pensas?
Para onde olhas quando atravessas o cais?...
Onde desaguam as tuas lembranças?
Onde escondes a tuas esperanças?
Como respiras?
Ao compasso de cada passo?
Ou ao ritmo de quem recordas... por quem suspiras?
Onde vais tu tempo que passaste a correr,
Não dei conta nem demora,
Vi-te passar pela ponte de ferro
Que une o antes e o agora
Senti-te por entre os dedos a escorrer....
Por onde vais? Em quem pensas? Para onde olhas?


O meu Super Herói




Quando eu era petiz o meu mundo de fantasia tinha bem arrumado os heróis e os vilões.
Os heróis, os super, cheios de poderes, com capa e um simbolo fantástico no peito. O Flash, ou o Thor, o Hulk e o Capitão America.
Depois havia os heróis extraordinários, o Sandokan e o Tarzan, o John Wayne e o Robin Hood ou o Trinitá, aqueles seres extraordinários que só um gesto derrotavam os inimigos e ficavam sempre no fim com a mulher bonita ao som de uma música épica e um por do sol.
E depois havia o meu pai. Tinha a certeza que o meu pai era o herói dos heróis. O meu pai era o melhor de todos. Era melhor que os pais dos meus vizinhos, dos meus amigos, mesmo dos convencidos que insistiam na convicção de que o deles é que era o maior.
Tinha a certeza que o meu pai era o Herói, que não entrava em filmes mas que tinha todos os poderes imagináveis. Tinha a certeza que lá escondido no guarda-fatos estava o fato com um símbolo fantástico que ele vestia às escondidas antes de sair para salvar o mundo dando a desculpa de que ia trabalhar.
Nunca vi o fato, nem descobri o lado “Marvel” do meu pai, mas tenho a certeza de que a minha busca não foi em vão e de que as minhas certezas absolutas e sintéticas da heroicidade do meu pai estavam correctas. Porque o meu pai nunca terminou os filmes abraçado a modelos de cinema nem com musicas épicas em por do sol… mas esteve sempre lá para salvar o meu mundo quando eu precisei.
Nunca precisou sequer de usar a capa e os poderes mais extraordinários para resolver os meus complexos dilemas contra todos os meus azares ou “inimigos”.
Tenho a certeza que ainda hoje o meu pai, nos seus cabelos brancos e no seu jeito carinhoso, é um herói… o meu herói… o melhor de todos… o SUPER HEROI.
Parabéns pai….